Prontidão para IA é fácil de declarar. Em cada eixo abaixo, comparamos o que líderes dizem com o que a mesma pesquisa encontra, e propomos a pergunta que um comitê deveria fazer. Tudo é autodeclarado. Cada par vem de perguntas diferentes: vale ler a contradição, sem subtrair um número do outro.
Dados
Na pesquisa da Drexel com a Precisely, 88% dos líderes dizem ter dados prontos para IA. Na mesma pesquisa, 43% apontam dados como o maior obstáculo. A Precisely vende integridade de dados, e o próprio estudo atribui variações entre edições à troca de amostra.
O comitê deve perguntar: no primeiro caso de uso, qual dado falta hoje, e quem responde por ele?
Processo
A Deloitte pediu a líderes nos EUA que avaliassem o preparo para agentes de IA em sete áreas. Estratégia ficou em primeiro, com 52% se dizendo preparados. Processos de negócio ficaram em último, com 21%. O recorte: só EUA e só quem já pilota agentes. A Deloitte vende consultoria.
O comitê deve perguntar: neste processo, qual etapa muda ou deixa de existir, e quem decide?
Pessoas
Na pesquisa da IBM, 86% dos CEOs acreditam que os funcionários têm as competências para usar IA. Os mesmos CEOs estimam que 25% da força de trabalho usa IA com regularidade. São opiniões e estimativas de CEOs, sem medição de uso, e a IBM vende IA e consultoria.
O comitê deve perguntar: quem usa, com que frequência e em qual função, e de onde vem esse dado?
Governança
Na pesquisa da Gartner, 71% esperam usar agentes de IA em 12 meses, e 21% dizem ter capacidade de governá-los. O primeiro número é expectativa dos próprios respondentes. A Gartner vende assessoria.
O comitê deve perguntar: quem pode parar um sistema em produção, por qual regra, e onde isso está escrito?
Infraestrutura
A pesquisa da Drexel traz o mesmo padrão: 87% dizem ter a infraestrutura necessária, e 42% a apontam como o maior obstáculo. Valem os mesmos limites.
O comitê deve perguntar: quanto custa rodar isso em produção, e quem acompanha esse custo?
O recorte brasileiro
O índice da Cisco abre o Brasil por pilar. O grupo mais preparado, com nota 86 ou mais, caiu de 29% em 2023 para 18% em 2025. Em 2025, esse grupo era 16% em dados, 26% em talento, 18% em governança e 18% em infraestrutura. No mundo, o total passou de 14% para 13%, o que é estabilidade. Os limites pesam: a Cisco vende infraestrutura, não publica o n por país, e um salto nos dados de 2025 sugere mudança de instrumento que não conseguimos checar.
O IBGE traz um dado oficial sobre pessoas. Na indústria com 100 pessoas ou mais, 54,2% das empresas que adotaram tecnologias digitais avançadas citam falta de pessoal qualificado. Entre as que não adotaram, um grupo pequeno, são 60,6%. O dado vale para tecnologias digitais em geral, e a estatística é experimental.
O que uma nota não diz
Empresas que se dizem mais prontas relatam, de forma consistente, resultados melhores. Isso é associação. Não achamos estudo que acompanhe uma nota de prontidão no tempo e teste se ela antecipa retorno financeiro. Uma nota serve para ordenar lacunas, e não para prometer retorno. Nenhum número aqui é resultado da Nebuloz.